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" que aconteceu? O que você descobriu?”

“Nada de especial, verdade...”  O astrólogo empurrou suas cartas de folhas de palmeira para o lado e encarou seu amigo por cima da mesa baixa. Ele não sabia o que dizer. As notícias não eram boas. “E você?  Você fez meu mapa?”

 “Oh, sim “, replicou seu amigo agarrando seu livro contra o peito. “Eu o fiz”. Ele também tinha más notícias para contar a seu amigo.

Os dois amigos tinham decidido fazer o mapa um do outro. Astrólogos nunca lêm seu próprio futuro – isso era tabú em seu ofício.

“Veja. Eu lamento. Tenho de lhe dizer. Você vai morrer em breve. De fato, você reencarnará como um elefante”.

 “Oh, graças a Deus. Quero dizer, oh, não!”  Ele ficou chocado com as notícias, mas aliviado. “Você também vai morrer logo. Você reencarnará como um verme”.

O futuro verme caiu de joelhos e implorou ao futuro elefante: “por favor, fechemos um aliança. Quando você reencarnar como elefante, você não descansará até encontrar-me na minha encarnação como verme. Aí, então,  imediatamente colocará fim a minha miséria, para que eu possa renascer como uma criatura mais nobre. Por favor, prometa-me que fará isso por mim. Só pise sobre mim, uma pata é suficiente”. 

O futuro elefante ficou em silêncio por alguns instantes. Finalmente disse: “Sim. Eu farei isto por você, meu amigo”.

E como o destino decidira, ambos morreram a algumas semanas um do outro  e reencarnaram. O astrólogo elefante lembrava-se perfeitamente de sua encarnação anterior e de seu voto sagrado a seu amigo. Ele imediatamente começou a explorar a selva levantando pedras, procurando pela floresta. Mas ele não conseguiu encontrar seu amigo verme. Ele perguntou aos outros animais da selva: “Você viu meu pequeno amigo verme? Ele é magro, enxerga mal e não movimenta-se rapidamente”. Nenhum deles tinha visto seu amigo.

O elefante começou a pendurar cartazes nas árvores.

RECOMPENSA
Você viu este verme?

Passaram-se semanas e meses e o elefante estava começando a achar que perderia a oportunidade de cumprir seu compromisso. Um dia, ele passou perto de uma rocha de aspecto engraçado. Abaixando sua cabeça viu uma nesga de fumaça saindo da rocha.  Olhando ainda com mais atenção viu que a fumaça saia de um pequeno tubo que surgia da pedra. Parecia uma chaminé! “Aposto que há uma casinha aí”, pensou.  Cuidadosamente, levantou a rocha com sua tromba e viu-se olhando diretamente para uma minúscula casinha lá em baixo... e lá estava seu amigo numa cadeira de balanço, lendo as notícias da  noite em frente de uma bela lareira, com sua mulher e filhos preparando um belo prato de legumes podres.

O elefante proclamou: “Meu amigo, estou tão contente de ter te encontrado. Agora posso cumprir meu voto”, e levantou sua pata. O pequeno verme gritou: “Não, não, esqueça a estúpida aliança que fizemos. Isso foi antes de eu  descobrir como era bom ser um verme. O contrato está fora de vigor, foi cancelado. Não o faça!”

O elefante calmamente replicou: “Você me agradecerá mais tarde” e o esmagou.

 

Nossos objetivos mudam no momento em que nos sentimos mais a vontade em nossa nova persona, nosso novo papel e nas novas circunstâncias. Essa é uma ilusão muito comum na vida espiritual. Podemos começar nossa tentativa com a melhor das intenções – a de alcançar nosso objetivo mais alto. Ao começar a gostar de nossa nova aparência, da nova companhia, das sensações agradáveis... pouco a pouco o conforto da viagem torna-se o objetivo e todos nossos esforços agora tratam de justificar esta escolha.

O verme futuro pensou que ser um verme seria horrível e quis terminar logo com sua infelicidade. Mas começou a gostar da vida de verme. O elefante simboliza o mestre espiritual, que nos tira de nossa zona de conforto, nos estimulando, sem tréguas, a lembrar-nos de nosso self divino. Ele esmaga nossas ilusões, nosso ego e nosso apego ao mundo. Sim, é doloroso. Mas como dizem os Sufis: “Quando o ego chora pelo que perdeu, a alma ri com o que ganhou”.  

 De fato, devemos ficar atentos com mestres que embalam seus estudantes com uma sensação falsa de progresso espiritual. Veja por exemplo esta história sobre falsos gurus.


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